terça-feira, 3 de outubro de 2017

OS ANABOLIZANTES

Características, funções e principais efeitos
Os anabolizantes (esteróides androgênicos anabólicos) são hormônios sintéticos que imitam o hormônio testosterona. Apesar de ser conhecido como um hormônio masculino, a testosterona também é encontrada nas mulheres, em quantidade bem menor.

A testosterona natural tem dois efeitos distintos no organismo:

  1. Efeito andrógeno: influencia nas características masculinas como mudança de voz, crescimento do órgão sexual, crescimento de bigode e barba, além de pêlos nas axilas e áreas genitais, e agressividade.
  2. Efeito anabólico: tem influencia no controle de gordura, aumento de massa muscular, força, etc.
  3. Video Alerta sobre o assunto: 
O desenvolvimento dos esteróides anabólicos teve como objetivo o aumento do efeito anabólico e a diminuição do efeito andrógeno. No entanto, não houve sucesso na tentativa de obter um anabolizante sem o efeito andrógeno.
Os anabolizantes sintéticos são utilizados no tratamento de algumas doenças, porém, a maior parte dos usuários utiliza com o objetivo de aumentar a capacidade de treinamento (diminuição da fadiga), com conseqüente aumento da força física e da massa muscular. Entre os atletas profissionais, o uso dessa substancia caracteriza doping. O uso é maior entre os homens, mas o índice de mulheres usuárias de anabolizantes é crescente.
Os anabolizantes são encontrados como comprimidos, cápsulas e injeções intramusculares. Os usuários de anabolizantes podem desenvolver dependência.
São inúmeros os possíveis efeitos colaterais. Alguns são comuns a homens e mulheres, enquanto outros são específicos a cada sexo.

HOMENSMULHERES
CalvícieVirilização (engrossamento da voz, aparecimento de pêlos na face, etc.)
Ginecomastia (crescimento dos mamilos)Amenorréia (menstruação precoce)
Hipertrofia da próstata e/ou diminuição dos genitais.Hipertrofia do clitóris (aumento do órgão sexual feminino).
Acne leve (algumas espinhas) ou severa (centenas de espinhas pelo corpo)
Impotência e Esterilidade
Agressividade
Hipertensão
Limitação do Crescimento
Problemas de Tendões e Ligamentos
Aumento do Colesterol (gordura nas artérias, órgãos e células corporais)
Dores de Cabeça
Enrijecimento das articulações
Hepatotoxidade (toxinas no fígado)
Insônias
Selamento das epífises ósseas (paralisação do crescimento ósseo)
Coronáriopatias (doença das artperias do coração)


Tratamento Médico
Os anabolizantes podem ser usados para tratar alguns problemas de saúde, mas com cuidadoso acompanhamento médico. Veja alguns exemplos:
·    Hipogonadismo: casos em que os testículos produzem pouca testosterona, levando à infertilidade e diminuição da libido;
·         Doenças compulsivas: casos em que a pessoa vai se definhando;
·         Doenças musculares;
·         Velhice ou andropausa: quando há queda sensível na qualidade de vida. Nos casos de mulheres com problemas na menopausa, a terapia de reposição hormonal só é feita em casos específicos, pois vem sendo relacionada ao desenvolvimento de câncer;
·        Em portadores de HIV: para recuperar a perda de massa muscular e reforçar o sistema imunológico;
·        Em tratamentos de obesidade: o hormônio masculino provoca um aumento do metabolismo e, com isso, aumenta a “queima” de gorduras.
Infelizmente, porém, esses compostos vêm sendo utilizados indiscriminadamente e sem receita médica por jovens saudáveis que querem ficar mais fortes e mais bonitos esteticamente, por atletas que querem aumentar seu desempenho em competições e por praticantes de fisiculturismo, que procuram aumentar a massa muscular por um caminho mais fácil.
Uso de esteroides anabolizantes
Muitos desses jovens são incentivados até mesmo por um treinador ou personal trainer, que desenvolveu “sua própria terapêutica”, indicando a quantidade que ele acha que dará mais resultado em cada jovem. Mas essa prática não tem nenhuma base científica e o treinador não sabe como a droga reagirá individualmente no organismo.
Outros são influenciados por amigos e conhecidos e, é por isso que principalmente em academias esse produto é muito procurado. Mas o que esses jovens (principalmente homens na idade de 18 a 34 anos) não se dão conta é que o uso desses hormônios pode prejudicar em muito a saúde e trazer muitos efeitos indesejados. Na figura a seguir são mostrados alguns desses:
Efeitos adversos do uso de anabolizantes
Além desses efeitos temos tremores, aumento da pressão sanguínea, intolerância à glicose, aumento do colesterol LDL e diminuição do colesterol HDL (forma boa de colesterol), variação do humor, agressividade e raiva incontroláveis, ciúme patológico, extrema irritabilidade, insônia, sentimentos de invencibilidade, distração, confusão mental e esquecimentos.
A prescrição e a venda indiscriminada dos anabolizantes têm levado à existência de produtos de baixa qualidade que entram ilegalmente em nosso país. Isso agrava ainda mais o efeitos adversos, pois muitas dessas substâncias vendidas são falsificadas e acondicionadas em ampolas não esterilizadas e misturadas a outras drogas. Já houve casos de pessoas que utilizaram produtos veterinários à base de esteroides, sem saber o risco desses medicamentos em humanos.
Outro problema grave relacionado ao uso de anabolizantes é que faz com que o usuário passe a usar também outras drogas recreativas, para, entre outros motivos, combater os sintomas de insônia e irritabilidade causados pelos EAA.
Doping "Alerta aos atletas e futuros atletas"
Os atletas que usam esses esteroides são proibidos pelo Comitê Olímpico Internacional de participar de competições, pois os nomes desses compostos foram incluídos na lista de drogas cujo uso é considerado doping.
Um caso trágico que nos mostra isso ocorreu nas Olimpíadas de Seul (Coreia do Sul) em 1988. A atleta norte-americana Florence Griffith Joyner bateu o recorde de 100 metros rasos e ficou com a medalha de ouro. No entanto, havia suspeitas de que ela utilizava drogas e essas suspeitas se tornaram ainda maiores quando em 1998 ela sofreu um ataque cardíaco e morreu prematuramente, aos 38 anos de idade.
Florence Griffith Joyner: morte prematura e suspeita de doping
Esse e outros exemplos nos mostram que realmente não vale a pena usar essas drogas para encurtar o esforço necessário para obter os resultados desejados, pois eles também acabam “encurtando” outros prazeres da vida e, muitas vezes, a própria vida.
PROF. FABIO LEÃO

REFERÊNCIAS:
http://www.infoescola.com/bioquimica/anabolizantes/
http://brasilescola.uol.com.br/quimica/esteroides-anabolizantes-forca-beleza-enganosas.htm
https://youtu.be/9Bn7rHeiNI8
https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-uso-de-anabolizantes/
http://www.minhavida.com.br/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal

Efeitos do Álcool nos Esportes +18

Orientação aos Adultos (pais/responsáveis):

A ingestão de álcool compromete diversas funções metabólicas, como a função renal, cardiovascular, muscular, a termoregulação corporal e o metabolismo de carboidratos. Porém o impacto do álcool na performance e na recuperação após o exercício físico ainda não são totalmente elucidados.
O texto que escrevo hoje para o “OPINIÃO QUALIFICADA” visa fornecer informações sobre como o álcool pode prejudicar tanto a prática do exercício físico quanto o desempenho do atleta, bem como seu impacto na recuperação. No final coloco dicas sobre como um atleta ou praticante de atividade física deve se portar frente ao consumo de bebidas alcoólicas.
Metabolismo
A ingestão aguda de álcool, conforme apontam alguns experimentos, afeta o metabolismo dos carboidratos no fígado e no músculo. Em alguns estudos em humanos ele diminuiu a captação de glicose pelo músculo esquelético e prejudicou a utilização da glicose durante o exercício.
Conforme algumas pesquisas, o álcool não prejudica o uso de ácidos graxos livres ou a lipólise durante o exercício intenso ou prolongado. Porém este pode reduzir a liberação esplâncnica de glicose, reduzir a gliconeogênese hepática, provocando a diminuição dos estoques de glicose no sangue e levando ao quadro de hipoglicemia.
Músculo esquelético x álcool
Em estudos realizados com ratos foram encontradas algumas hipóteses de ações prejudiciais do álcool sobre o músculo esquelético.
A primeira seria que o álcool impede a transição dos íons de cálcio para dentro do miócito através da inibição dos canais de cálcio do sarcômero, prejudicando o mecanismo de contração-relaxamento muscular. Já a segunda seria que o consumo de álcool após o exercício pode comprometer a integridade do sarcômero por aumentar as quantidades de creatina quinase intracelular. Porém, são necessários estudos em humanos para melhores conclusões.
Termoregulação e hidratação
O álcool possui efeito inibitório sobre o hormônio anti-diurético (ADH) e também é um potente vasodilatador periférico. Esta perda de líquido aumenta principalmente com a evaporação, que agrava inda mais a desidratação. Existe ainda a interferência de mecanismos centrais de termoregulação que acabam diminuindo a temperatura corporal central.
Caloria vazia
O valor calórico de 1 grama de carboidrato ou proteína contém 4 kcal, já para os lipídeos cada grama possui 9 kcal. Em relação ao álcool, 1 grama contém 7 kcal. Muitos nutricionistas utilizam o termo “caloria vazia” pois é um alimento altamente calórico e não possui vitaminas e minerais em sua composição.
Desempenho
O álcool é um conhecido depressor do sistema nervoso central (SNC) e por isto, conforme alguns autores, prejudica funções, como: a memória, o tempo de reação, a precisão de habilidades motoras finas e o sono.
Portanto, ele não é uma substância capaz de melhorar a força, a potência, a endurance muscular e inclusive pode diminuir o desempenho durante o exercício.
Álcool x recuperação
Pesquisas recentes demonstram que o uso crônico do álcool promove a liberação de citocinas pró-inflamatórias, o que causa estresse sobre a musculatura, podendo levar à miopatia do músculo esquelético. Também foram encontrados impactos metabólicos na ingestão do álcool logo após a atividade física, como a diminuição da ressíntese de glicogênio muscular e das proteínas musculares (através da supressão da enzima m-TOR). Ressalta-se que ainda são necessários mais estudos para verificar a relação entre álcool e recuperação após o exercício.
A literatura traz uma série de complicações advindas do uso do álcool, tanto de forma aguda quanto crônica. Como mencionado anteriormente, ele possui efeitos deletérios sobre uma série de funções do organismo (sistema renal, cardiovascular, dentre outros), evidenciando os malefícios desta substância à saúde.
Mesmo conhecendo sobre os agravos do álcool na saúde, ainda são insuficientes os estudos sobre a relação álcool e exercício em humanos. Porém, com base nos estudos com ratos de que existe esta relação, sugere-se que atletas ou praticantes de atividade física sejam cautelosos ao fazer ingestão do álcool, principalmente durante, pré e após o exercício físico.
DICAS:
Evite ingerir bebidas alcoólicas 48h antes da sua prova, visando garantir sua hidratação;
Evite o consumo excessivo de bebidas destiladas devido ao seu teor alcoólico e calórico;
Caso consuma alguma bebida alcoólica, prefira o vinho, pois contém resveratrol. Esta substância é um polifenol conhecido pelas suas propriedades antioxidantes,
antiinflamatórias e anticancerígenas;
Evite o consumo de álcool logo após a atividade física, pois diminui a ressíntese de glicogênio e proteínas musculares;
De acordo com a American Heart Association (2006), limite o consumo de bebidas alcoólicas: no máximo dois drinques por dia para homens e uma bebida por dia para mulheres;
REFERÊNCIAS
AMERICAN HEART ASSOCIATION NUTRITION COMMITTEE, Lichtenstein AH, Appel LJ, et al.Diet and lifestyle recommendations revision 2006: a scientific statement from the American Heart Association Nutrition Committee. Circulation 2006; 114:82
BURKE, L.M. et al. Effect of the alcohol intake on muscle glycogen storage after prolonged exercise. J Appl Physiol 95: 983–990, 2003. Disponível em: .
COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Uso de álcool nos esportes. Rev Bras Med Esport – Vol. 3, Nº 3 – Jul/Set, 1997. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php…;.
GRAHAM, T. Thermal and glycemic responses during mild exercise in +5 to –15ºC environments following alcohol ingestion. Aviat Space Environ Med 1981;25:517-22.
TANGNEY, C.C.; ROSENSON, R.S. Cardiovascular benefits and risks of moderate alcohol consumption. Disponível em: <http://www.uptodate.com/…/cardiovascular-benefits-and-risks…;.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Efeitos do Álcool no Exercício Físico e nos Esportes

CEF 405 SUL
EDUCAÇÃO FÍSICA
PROF. FABIO LEÃO
3º BIMESTRE 

TEXTO 1


Efeitos que o álcool causa no organismo

Parte 1

O consumo prolongado de álcool pode fazer com que as células do fígado percam a sua capacidade de regeneração, podendo desencadear uma cirrose.

Os efeitos nocivos que o álcool causa no corpo são inumeráveis, principalmente o etanol que é uma droga psicoativa que provoca muitos efeitos secundários alterando gravemente o organismo.

Neste caso a quantidade de álcool ingerido tem um papel muito importante, como também as circunstâncias. Se você consome álcool com o estômago cheio os efeitos são menores no organismo. Porém, se você bebe com o estômago vazio os efeitos são muito maiores.
Como o álcool atua no organismo?

O álcool pode ter um efeito duplo no organismo, já que no início produz uma grande sensação de satisfação e alegria, porém mais a frente começa a produzir visão borrada e graves problemas de coordenação.

As membranas das células não podem deter a passagem do álcool e já estando no sangue, ele se espalha pela maior parte dos tecidos que compõe o corpo.

Com o consumo excessivo a consciência é facilmente perdida, mas se o consumo é extremamente alto pode provocar envenenamento por álcool e até produzir a morte, já que uma alta porcentagem de álcool no sangue provoca parada cardiorrespiratória ou morte por asfixia ocasionada pelo vômito, pois quando uma pessoa está totalmente alienada por causa da embriaguez pode se afogar no próprio vômito por não poder responder a esta necessidade.

O álcool depois de ser ingerido pode levar uns trinta ou noventa minutos sem chegar ao sangue, nesse momento os açúcares que se encontram no sangue são reduzidos, provocando uma absoluta debilidade e esgotamento, isto acontece porque o álcool acelera a transformação de glicogênio em glicose, e esta é eliminada mais rápido.
As fases da intoxicação etílica

Logo depois de beber aparecem os efeitos, a depender da quantidade que foi ingerida.
Primeiro vem a euforia, excitação, desinibição e uma conduta impulsiva.
O segundo efeito é a intoxicação, quando o organismo não está acostumado com o álcool, o sistema nervoso é afetado, a capacidade de coordenar os movimentos é perdida e o também o equilíbrio, o que pode provocar quedas. O álcool provoca depressão e perda de calor.
Depois vem a fase hipnótica, de muita confusão, produz irritabilidade, agitação, sono, náuseas, vômitos e dor de cabeça.
O quarto efeito é anestésico e de estupor, são ditas palavras incoerentes, diminui notavelmente a consciência, se perde a força muscular, não se controla a vontade de urinar, a respiração fica difícil.
A última fase é a bulbar ou morte, ocorre choque cardiovascular, parada cardiorrespiratória e depois morte.

Os efeitos do consumo de álcool no organismo

Os efeitos do álcool no corpo são muitos, sejam a médio ou em longo prazo, muitos órgãos são danificados.

O cérebro e o sistema nervoso
O consumo frequente de álcool afeta gravemente as funções cerebrais, em primeiro lugar as emoções provocando mudanças súbitas de humor, alteração no controle da motricidade, má pronunciação, reações muito lentas e perda de equilíbrio.
Pode alterar a ação dos neurotransmissores, modificando sua estrutura e função, produzindo uma série de efeitos como a capacidade de reação, os reflexos são retardados, se perde a capacidade de coordenar movimentos, são produzidos tremores e alucinações. O autocontrole é perdido, a memória, a capacidade de concentração e as funções motoras são alteradas gravemente.
Todos estes efeitos juntos são as causas de uma grande quantidade de acidentes de trabalho e de trânsito, os quais levaram a vida de um considerável número de pessoas em todo o mundo.
O álcool causa danos graves nas células cerebrais, como também aos nervos periféricos, estes danos podem ser permanentes.
Também ocasiona a redução de vitamina B1, o que causa a doença de Wernicke-Korsakoff que provoca a alteração dos sentimentos, pensamento e memória.
Provoca transtornos de sono na grande maioria das pessoas que o consomem com muita frequência.
Além disso, essas pessoas se afastam com frequência de seu ambiente de trabalho e familiar, o que provoca o abandono das famílias, divórcios e a perda do emprego, e pode provocar uma profunda depressão e na maioria dos casos termina em suicídio.
A maior parte destes efeitos é produzida dependendo da quantidade e da frequência com que o álcool é consumido.
Em doses muito altas pode levar ao estado de coma, em casos muito avançados provoca alterações mentais muito sérias e danos cerebrais permanentes.
Períodos de anemia aparecem, com alterações na memória, condição que pode durar alguns minutos, horas ou inclusive alguns dias.

No coração e no aparelho respiratório
Aumenta a atividade cardíaca.
O consumo de doses muito elevadas pode aumentar a pressão sanguínea ou pressão arterial, ocasionando danos no músculo cardíaco devido ao efeito tóxico do álcool.
O músculo cardíaco é debilitado e por isso sua capacidade para bombear o sangue reduz.
Produz vasodilatação periférica, o que ocasiona avermelhamento da pele e aumento da temperatura superficial da mesma.

No aparelho digestivo: estômago, pâncreas, fígado e esôfago
Todas as moléstias gástricas acontecem porque o etanol corrói e irrita a mucosa gástrica, provocando ardor estomacal que pode ser incrementado se você toma vários tipos de bebidas alcoólicas de vez.
O álcool aumenta a produção de ácido gástrico, provocando irritação e inflamação nas paredes do estômago, o que pode provocar úlceras e hemorragias internas que podem ser fatais.
O elevado consumo de álcool pode ocasionar câncer de estômago, laringe, esôfago e pâncreas.
Pode provocar esofagite, ou seja, a inflamação do esôfago, além de varizes esofágicas sangrentas.
Causa pancreatite aguda, que é a inflamação severa do pâncreas, o que pode levar a morte.
A pancreatite também pode ser crônica provocando uma intensa dor permanente.
O consumo de álcool pode levar a pessoa a sofrer de diabetes tipo II e com as graves consequências que esta doença provoca.
O órgão que tem a função de metabolizar o álcool é o fígado. As enzimas do fígado transformam o álcool primeiro em acetaldeído e logo em acetato e outros compostos. O processo é muito lento, por isso produz danos nos tecidos do fígado.
Pela irritação e a inflamação celular hepática é provável que uma hepatite alcoólica apareça. Desta maneira o fígado pode ser afetado transformando-se primeiro em fígado gorduroso, logo pode chegar a hepatite e depois cirrose, terminando por chegar ao câncer de fígado e causando a morte.
Outras alterações deste órgão podem ser a icterícia, ou seja, a coloração amarela da pele, a esclerótica e a acumulação de líquidos nas extremidades.
A função renal é alterada, já que o hormônio antidiurético tem seus níveis reduzidos, o que provoca desidratação.
O álcool traz uma grande quantidade de calorias com muito pouco valor nutritivo, impede a absorção de alguns minerais e vitaminas, elimina o apetite, provocando desnutrição.

No sangue
Impede a produção de glóbulos brancos e vermelhos.
A anemia megaloblástica acontece quando não existe quantidade suficiente de glóbulos vermelhos para transportar o oxigênio.

O sistema imune e reprodutor
A falta dos glóbulos brancos produz falhas no sistema imune, o que aumenta o risco de adquirir infecções bacterianas e virais.
Reduz o desejo sexual.
Pode causar infertilidade e disfunção erétil.
Na gravidez e no feto
O consumo de álcool durante a gravidez pode provocar no feto a síndrome alcoólica fetal, os sintomas desta condição se manifestam como retardo de crescimento, alteração nos traços craniofaciais, má formação cardíaca, hepática, renal e ocular. O dano mais grave acontece no sistema nervoso central do feto, que pode produzir um marcante atraso mental.


QUESTIONÁRIO I
1.     Como o álcool atua no organismo?
2.     Quais as fases da intoxicação etílica?
3.     Cite os efeitos mais graves do uso do álcool no cérebro e sistema nervoso.
4.     O que acontece no coração e no aparelho respiratório diante do consumo elevado de bebidas alcoólicas?
5.     Escreva sobre as doenças causadas no aparelho digestivo: estômago, pâncreas, fígado e esôfago.

 

Efeitos do Álcool no Exercício Físico e nos Esportes

Parte 2


A relação entre atividades físicas e álcool é discutida há muito tempo e comumente observamos notícias sobre o uso dessa substância por atletas profissionais.

Alguns aspectos importantes devem ser observados, e o primeiro é que bebidas alcoólicas podem gerar aumento de peso. Elas fornecem uma quantidade importante de calorias, apesar de não fornecer nutrientes (proteínas, vitaminas ou minerais) - por este motivo são chamadas de “calorias vazias”.

Cada grama de álcool puro fornece 7 calorias; porém, o total de calorias nas bebidas alcoólicas varia amplamente de acordo com o tipo da bebida (saiba mais aqui). Por exemplo, 1 lata de cerveja possui quantidade de calorias aproximadamente equivalente a 1 barra de 30g de chocolate ou a 1 unidade de pão francês.

Outra questão refere-se à influência negativa que o consumo de álcool pode causar na performance dos atletas. O processamento de informações e, portanto, uma ampla variedade de habilidades psicomotoras são prejudicadas, tais como tempo de reação, precisão, equilíbrio, coordenação complexa e a capacidade de tomar de decisões mais rápidas e racionais. Em esportes que envolvem rápida mudança de estímulos, o desempenho será ainda mais prejudicado.

Ainda, dados da literatura científica evidenciaram que ingerir álcool pode levar à diminuição do uso de glicose e aminoácidos pelos músculos, interferindo no depósito de energia e no metabolismo durante o exercício. Sabe-se também que o álcool tem propriedades inflamatórias, podendo prejudicar a disponibilidade de nutrientes e diminuir a secreção de hormônio do crescimento.

Por outro lado, existem evidências que a atividade física pode atenuar os efeitos do álcool (estudos mostraram que as mitocôndrias, que são as unidades celulares responsáveis pela produção de energia, aumentaram sua capacidade de metabolizar o álcool em pessoas que praticavam exercícios), e reduzir seus efeitos oxidantes.

Cabe lembrar que muitos atletas de provas longas fazem uso posterior de medicamentos como anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares, e alguns de seus componentes, como o paracetamol, não devem ser consumidos concomitantemente com álcool pelos potenciais efeitos tóxicos para o fígado. Ainda, uma série de anti-inflamatórios não esteroidais (ácido acetilsalicílico, ibuprofeno e naproxeno) expõem a mucosa do estômago a efeitos adversos potencialmente graves, assim como álcool, o que implica em risco ainda maior quando usados ao mesmo tempo.Para fins de efeitos psicoativos e métricas (tendências de comportamento), os tipos de bebida não diferem entre si quando usados volumes com quantidade de álcool equivalente (330 ml de cerveja, 100 ml de vinho ou 30 ml de destilado possuem a mesma quantidade de álcool puro: 10 a 12 g – veja mais aqui). Alguns estudos apontam para efeitos particulares com relação à cerveja, com ou sem álcool, por conter antioxidantes da fermentação (polifenois) e poder colaborar na reidratação pós-exercícios físicos. Por exemplo, um estudo verificou que o consumo de 1 a 1,5 L de cerveja sem álcool por maratonistas ao longo de três semanas antes da corrida reduziu a inflamação e problemas decorrentes da prova.

Apesar do álcool fazer parte de relações sociais saudáveis há milhares de anos, o atleta que almeja atingir grandes resultados tende a se beneficiar por restringir seu consumo. De acordo com o documento intitulado “Self-help strategies for cutting down or stopping substance use: a guide (2010)”, da Organização Mundial de Saúde, não existe um nível seguro para o consumo de álcool. Se a pessoa bebe, há risco de problemas de saúde e outros, especialmente se bebe mais de 2 doses* por dia e não deixa de beber pelo menos dois dias na semana..

Por fim, na relação entre álcool e esporte, outro ponto de vista que interessa particularmente aos profissionais de saúde, familiares e demais envolvidos com pacientes com transtornos por uso de álcool é o benefício complementar que a prática de atividade física tem no tratamento - estudo indicou que exercícios moderados colaboram com a recuperação de dependentes, diminuindo o número de recaídas e de episódios de uso nocivo.


*A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma unidade de bebida ou dose padrão contém aproximadamente de 10 g a 12 g de álcool puro, o equivalente a uma lata de cerveja (330 ml) ou uma dose de destilados (30 ml) ou ainda a uma taça de vinho (100 ml).




QUESTIONÁRIO II

1. Quantas calorias tem em 1g de álcool e por que são consideradas “calorias vazias”?
2. Cite as Habilidades Psicomotoras importantes para o esporte prejudicas diante do uso de álcool?
3. Diante da ingestão de bebida alcoólica o que pode acontecer em relação aos depósitos de energia e produção (secreção) de hormônios?
4. Como a prática de exercícios físicos pode atenuar (diminuir) os efeitos do álcool no organismo?
5. Existe uma quantidade ideal ou tolerada Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS (2010)?
6. O Exercício Físico traz algum benefício complementar ao tratamento de dependentes de bebidas alcoólicas?

REFERÊNCIAS


BROWN RA, ABRANTES AM, MINAMI H, READ JP, MARCUS BH, JAKICIC JM, STRONG DR, DUBREUIL ME, GORDON AA, RAMSEY SE, KAHLER CW, STUART GL. A preliminary, randomized trial of aerobic exercise for alcohol dependence. J Subst Abuse Treat. 2014 47(1):1-9.


LIEBER CS. Relationships between nutrition, alcohol use, and liver disease. Alcohol Res Health. 2004 27(3):220-231.



EL-SAYED MS, ALI N, EL-SAYED ALI Z. Interaction Between Alcohol and Exercise: Physiological and Haematological Implications. Sports Med. 2005 35(3):257-269.



NATIONAL INSTITUTE ON ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM, 2007. Harmful Interactions: Mixing Alcohol with Medicines. NIH Publication No. 03–5329.



OMS, 2010. Self-help strategies for cutting down or stopping substance use: a guide. Genebra: OMS.

SCHERR J, NIEMAN DC, SCHUSTER T, HABERMANN J, RANK M, BRAUN S, PRESSLER A, WOLFARTH B, HALLE M. Nonalcoholic Beer Reduces Inflammation and Incidence of Respiratory Tract Illness. Medicine and Science in Sports & Exercise 2012 44(1):18-26.