segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Preparação Física na Dança: Treinamento Geral para Dançarinos Modernos


INTRODUÇÃO
Conforme o Prometido neste artigo sobre Dança e Preparação Física venho dar aporte científico para os aspectos de força, potência, resistência aeróbia e resistência muscular localizada, que às vezes são negligenciados, mal feitos e mal programados, ou seja, feito sem nenhuma habilidade e conhecimento próprio da exigência fisiológica do corpo em si e da Dança específica que pratica.
Neste estudo procurarei descrever um breve histórico sobre a “medicina” da Dança; exigências físicas; programa e periodização de treinamento diário, semanal e mensal do dançarino; e mencionar objetivos, benefícios e estratégias de execução dos trabalhos de força(F), potência(P), resistência aeróbia(R1) e Resistência muscular localizada(RML). Além dos ensaios que devem ter todo um trabalho de base tanto físico como mental somado a simples atividades físicas como ginástica localizada, saltos pliométricos, caminhadas, corridas e Pilates serão o suficiente para dar mais performance e evitar lesões dos dançarinos, pois todas esses exercícios físicos bem programados e orientados por um profissional capacitado resolverão os problemas de falta e negligência do bom desempenho do dançarino e da equipe da qual faz parte.
PESQUISA FUTURA
Existem muitas áreas viáveis de pesquisa para estudo futuro da dança (análise da biomecânica do movimento, projeto de sapato para balé, formas adicionais de treinamento, efeitos do estresse de calor, baixo peso corporal, super-treinamento, técnicas de treinamento e treinamento para crianças e adolescentes). Além disso, as questões para pesquisa futura são numerosas em relação aos hábitos nutricionais dos dançarinos (restrição calórica), à tríade da atleta feminina (osteoporose, refeição desarranjada e amenorréia) em dançarinas e outros tópicos em ciência e medicina da dança.
Desde o início dos tempos, o movimento humano tem se desenvolvido e, de igual modo, a dança. A dança como uma forma de movimento humano pode ser descrita por muitas palavras: físico, ritmo, estético ou emocional e até mesmo espiritual, grande manifestação em igrejas hoje em dia, onde indivíduos demonstram sua fé por meio da arte da Dança.
BREVE HISTÓRICO
Desde o início dos anos 80 houve identificação de uma área de especialidade em medicina para dança. Essa combinação de arte e ciência da dança foi chamada medicina da dança. Esse termo foi primeiro usado em 1979 e desenvolveu-se da necessidade de achar e disseminar informação para tratar e/ou prevenir lesões da dança para educar profissionais de saúde sobre as necessidades especiais de dançarinos e para estudar as práticas de treinamento de dançarinos. Solomon e Micheli (apud Garret & Kirkendall 2003) notaram que existe inúmeros fatores de risco para lesão na dança (p.ex.: descondicionamento, aquecimento impróprio, erros no treinamento, falhas técnicas, desequilíbrios músculo-tendão). Postulou-se que as lesões da dança podem ser prevenidas por meio de um entendimento adequado da cinesiologia e de como ela aplica-se à técnica e ao treinamento da dança. A fisiologia é uma parte da cinesiologia da dança, o estudo de sua arte e ciência.
EXIGÊNCIAS FÍSICAS
As exigências da dança são tão variadas quanto os passos e a coreografia que compõem sua rotina ou sua performance. Hoje, exigem-se dos dançarinos profissionais demandas físicas extremas sobre seus corpos. Muitas formas de dança necessitam de uma combinação de força, potência, flexibilidade, aptidão cardiorrespiratória e coordenação neuromuscular.
DANÇA TEATRAL
Existem várias posições comuns no balé, sendo que muitas dessas posições necessitam de turnout, que é rotação externa, para fora do quadril, joelho e tornozelo a 90º. Muitos passos do balé requerem um grande grau de flexibilidade na articulação do tornozelo, na musculatura posterior da coxa, como também na parte interna da coxa.
Diferentemente do balé, no qual as poses são impostas ao corpo, a dança moderna tem seu propósito em usar as características inerentes do corpo humano para desenvolver dançarinos fortes e hábeis. Essa forma de dança desenvolveu-se para contrastar com os fundamentos lineares e rígidos do balé e enfatizar a liberdade de movimento e de expressão artística.
As demandas físicas da dança englobam não somente a execução de passos específicos, mas também outras necessidades físicas que compõem um planejamento diário do dançarino. Chmelar e Fitt (apud Garret & Kirkendall 2003) propuseram uma pirâmide para descrever as facetas do treinamento de dança. Na base da pirâmide, eles o descrevem como composto de três áreas: aula técnica, somática e condicionamento. Acima disso, o ensaio seria aquele momento no qual todos os componentes do treinamento se encontram; finalmente, no topo da pirâmide está o desempenho da dança, que representa o integração total do ensaio e das sessões de treinamento.
PERFORMANCE E INTEGRAÇÃO TOTAL NA DANÇA
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PIRAMIDE DE TREINAMENTO NA DANÇA
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EXERCÍCIO DE DANÇA AERÓBICA (ADE)
Os passos que podem ser coreografados em uma rotina de dança aeróbica podem ser variados pelo impacto: alto impacto (HI; movimentos de pular, saltar) versus baixo impacto (LI; ADE durante o qual um pé é mantido em contato com o solo), pela cadência (compasso da música no qual os movimentos são baseados), pela variação de movimento (movimento completo ou parcial através do arco de movimento de uma articulação), pela massa muscular dos braços, das pernas ou uma combinação de ambos envolvidos no movimento, pela posição dos braços envolvidos (acima e/ou abaixo do nível do ombro/coração), pelo tipo de contração muscular (isométrica, dinâmica; excêntrica ou concêntrica) e pela adição de halteres de pesos variados.
Os passos do ADE podem, de modo usual, ser completados facilmente por participantes de todas as idades e níveis de aptidão. Essa é uma das características únicas do ADE no qual o mesmo passo pode ser modificado pelo participante para satisfazer as necessidades de seu trabalho individual.
Um trabalho de ADE típico satisfaz os princípios de treinamento cardiorrespiratório (freqüência, intensidade, duração, tipo de atividade) e é similar a qualquer trabalho cardiorrespiratório.
NECESSIDADES FISIOLÓGICAS
Assim como em muitos esportes, o gasto energético da dança pode variar dependendo dos níveis de aptidão e de habilidades dos participantes. A dança teatral pode ser descrita como surtos intermitentes de atividade moderada à intensa. Passos efetuados alegro duram menos que 30 segundos, porém a maioria dos exercícios de barra e de solo duram aproximadamente de 30 segundos a 1,5 minutos. O turno mais longo de dança contínua foi aproximadamente de quatro minutos. Embora a maioria dos autores prévios classifique a dança como primariamente uma atividade de curta duração e de alta intensidade, alguns dos ensaios ou aulas técnicas podem ser longos o suficiente e em uma intensidade suficiente para produzir melhoras cardiorrespiratórias moderadas.
TREINAMENTO ESPECÍFICO DO ESPORTE
O treinamento específico do esporte para a dança é a parte que inclui ensaio, técnica e somáticas. Os ensaios e as aulas técnicas são específicos à dança e aos movimentos envolvidos; entretanto, ensaio e técnica sozinhos podem não fornecer a sobrecarga necessária para evocar respostas de treinamento.
Em muitos esportes, o treinamento de resistência progressivo seria uma necessidade para competir em um nível avançado. Previamente, dançarinos de balé ficavam hesitantes em fazer treinamento de peso com receio de que eles desenvolvessem músculos grandes e volumosos. Um programa estruturado de treinamento de peso em dançarinos estudantes universitários de níveis intermediários e avançados investigou a força muscular durante a adução do quadril, dorsiflexão e extensão do joelho a 150º/s e no tempo para saltos de resistência, onde foi constatado ganhos significativos nesses movimentos.
O Método Pilates
Pilates é um sistema de baixo impacto, um exercício que trabalha para fortalecer e alongar os músculos sem adicionar volume ao corpo. Ela envolve uma série de movimentos, alguns realizados com a ajuda de equipamentos que melhoram o controle da resistência, fortalece os músculos abdominais internos e melhora a flexibilidade. Pilates trabalha com o ritmo da respiração, tornando-se a mente treinada e o corpo tonificado. Embora qualquer pessoa pode praticar Pilates para a melhoria da saúde global, os dançarinos têm experimentado os benefícios ao longo de décadas.
Estimula a circulação, melhora o condicionamento físico geral, a flexibilidade, a amplitude muscular e o alinhamento postural adequado.
Além disso, promove melhoras nos níveis de consciência corporal e melhora a coordenação motora.
Todos esses benefícios citados ajudam a prevenir e reduzir riscos de uma futura lesão proporcionando inclusive alívio de dores crônicas, ou seja, o método pilates é particularmente utilizado para reabilitação de problemas, como por exemplo, os da coluna.
Ele fortalece, alonga, e equilibra toda a musculatura que envolve a coluna vertebral, alinhando e descomprimindo tensões na mesma. Ajudam a aliviar pinçamentos e compressões de discos. Esta descompressão facilita e estimula a circulação na região com problemas.
Este trabalho de estabilização da pelve e coluna, também, como acréscimo, ajuda a preparar a reabilitação de áreas com fraqueza muscular com maior eficiência.
Fonte: Garret Jr, William E. Kirkendall, Donald T. A Ciência do Exercício e dos Esportes. Porto Alegre: Artmed, 2003.

3 comentários:

  1. e quais são os riscos

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  2. Boa noite!

    Sou dançarina de flamenco e estudante de licenciatura de Dança pela UFRN. Atualmente integro o projeto de pesquisa de dança flamenca e gostaria de trocar informações para desenvolver um treinamento físico mais adequado para mim como dançarina profissional.

    grata

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  3. Oi sou dançarino de quadrilha junina estilizada e pretendo desenvolver treinamento para o meu grupo... gostaria muito de trocar informações,saber mais sobre treinamentos de dança!!!

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